quinta-feira, 26 de novembro de 2009

COLUNA DO SÁTIRO, apresenta: "Existe imparcialidade da informação?"


COLUNA DO SÁTIRO
A coluna do Sátiro traz aos nossos perspicazes leitores o trecho de uma entrevista concedida com exclusividade por Pedro Prepúcio a este que vos escreve. A entrevista ocorrera em São Paulo, durante o evento de lançamento da Revista Medi(a)dor.

Sátiro: Sr Prepúcio, achei muito esclarecedor o artigo publicado na revista que está sendo lançada. O Sr fala sobre a questão da suposta “imparcialidade” na divulgação de informações pela mídia. O Sr diz que é impossível divulgar uma informação e ser neutro ou imparcial, não é isso?

PP: Eu não coloco a questão de uma maneira simples assim. Eu acredito que os grandes divulgadores ou mediadores de informação procuram ser razoáveis ao divulgar uma informação e não adotam uma postura contra ou a favor. Não fazem juízo de valor, ou melhor, procuram não fazer juízo de valor.

Sátiro: Mas o Sr demonstra brilhantemente em seu artigo que isso é impossível.

PP: É um artigo um pouco complicado e até chato de se ler. Eu reconheço que sou péssimo escritor, mas procurei ser o mais claro possível. Fico feliz em saber que achou o que escrevi “brilhante”. Vou tentar resumir e estória da seguinte forma:  Dia desses eu estava lendo um grande jornal de circulação nacional em sua versão on-line . E em uma seção sobre saúde, ou ciência, não me recordo, vi um artigo que chamou a minha atenção. Tratava-se de uma notícia sobre o uso de certo medicamento para provocar uma melhora de desempenho mental em estudantes universitários nos EUA. Um tipo de doping utilizado às vésperas de concursos e avaliações. A matéria do jornal informava que a prática, nos EUA, é muito disseminada e até defendida por Professores, que não viam nada de errado no uso desse medicamento para melhorar o desempenho intelectual. Pois bem. Até aqui, nenhum juízo de valor, nada de opiniões contra ou a favor. Apenas o relato do que está acontecendo nos círculos acadêmicos dos EUA. Mas a notícia causou uma reação em mim: eu queria alguns comprimidos desses para poder usar às vésperas de um concurso público que iria prestar. Ou seja, a notícia, neutra e sem juízo de valor fez com que, uma pessoa que leu a matéria, no caso eu, que jamais havia ouvido falar do assunto, quisesse fazer uso da droga. E mais, eu aqui, não estou dizendo o nome do medicamento, mas a matéria do jornal informou o nome. E sendo um remédio conhecido, utilizado no tratamento de pessoas com déficit de atenção, e, portanto, um medicamento de acesso relativamente fácil, me fez ficar mais inclinado a tentar conseguir alguns comprimidos.

Sátiro: O Sr está dizendo então que o jornal, ao veicular a notícia, estimulou alguns leitores a procurar a droga?
PP: Sem intenção de fazer isso, muito provavelmente. Mas isso aconteceu sim. E pessoas que jamais tinham ouvido falar do assunto, como no meu caso. Este é um exemplo bem simples que me ocorreu para ilustrar minhas idéias que estão publicadas no artigo.

Sátiro:  O Sr poderia explicar como fica a questão que envolve a liberdade de expressão e direito à informação, à luz das idéias que o Sr expõe no artigo?

PP: Certamente. Volto ao caso do artigo do jornal para ilustrar essa questão também. Eu disse que fiquei inclinado à experimentar o remédio e verificar sua eficácia para a melhora do desempenho intelectual. Mas eu não usei e nem pretendo usar o remédio. Por quê? Porque eu fui investigar na internet mais informações sobre a droga. Encontrei muitas informações: de leigos e de sites especializados. E cheguei à conclusão de que não valeria a pena fazer uso do medicamento. Por questões de saúde e por questões éticas, principalmente. Eu penso que, quanto mais informações disponíveis existirem sobre um determinado assunto, melhor. Independente de haver apologia, juízo de valor ou suposta neutralidade. Toda censura ou limitação da informação é prejudicial. Quanto mais informação sobre algo existir, tanto melhor se pode fazer uma avaliação ou julgamento. Omitir ou não divulgar uma informação prejudica a capacidade de interpretação e avaliação.

Sátiro: Pode-se manipular uma informação “neutra”, como divulgar a notícia de uma enchente, por exemplo?

PP: O simples fato de você dizer algo ou transmitir uma informação qualquer, provoca  uma reação. É impossível emitir uma informação neutra, imparcial. O simples fato de você decidir informar alguém sobre algo manifesta seu interesse em provocar uma determinada reação. Se você divulga a notícia a notícia de que houve uma enchente em um determinado local, você espera que reação das pessoas que recebem essa informação? Comoção? Sensibilização? Indignação? Estado de alerta, ou de atenção? Não importa. A informação irá provocar uma reação. Escolhe-se o que se divulga porque se espera que as pessoas se manifestem sobre aquilo de alguma maneira. Mesmo que seja apenas para que as pessoas evitem ir para este lugar onde ocorre a enchente. Não importa.

Sátiro: Você critica o jornal por divulgar a notícia sobre o remédio?

PP: De maneira alguma! Se Você diz a alguém: “Tem cerveja na geladeira”, você não está dizendo para esta pessoa beber cerveja, ou não beber cerveja. Mas a pessoa, de posse dessa informação, irá ou não, beber a cerveja. Minha opinião é de que quanto mais informação, melhor. O que se precisa é que as pessoas, receptoras das informações, possuam a capacidade de avaliar e fazer uso que lhe convier a respeito delas. Obviamente que existem regras sociais e leis que regulam o que uma pessoa pode ou não fazer. E isso é diferente de regular o uma pessoa pode ou não dizer.

Sátiro: Então, Professor, já que é assim,  você poderia me dizer qual o nome do remédio que você cita no seu exemplo?
PP: Ritalina.

domingo, 22 de novembro de 2009

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